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Culturas de Inovação de Alto Desempenho


Inovação virou sinônimo de competitividade e longevidade. Porém é preciso torná-la tangível. Trabalhar com dados auxilia a tornar a inovação concreta. “Todos nós nascemos criativos e inovadores. Inovar é ter o propósito de melhorar a vida das pessoas”, ressalta Daniel Alves, CEO da Innoway, Plataforma de Inteligência de Dados, com carreira internacional e investidor de startups.


Ao medir a cultura de inovação de uma empresa, os dados gerados servem de base para um plano de ação que visa a evoluir essa cultura. Mas quais os principais desafios de cultura de inovação de uma empresa?


Para Marina Dobashi, coordenadora de ciência e tecnologia do governo do Estado do MS, o principal desafio são pessoas. “Os mais conservadores na gestão pública muitas vezes não entendem que uma política pública precisa de um B.I”, diz a profissional durante a masterclass de inovação, realizada em abril pelo Living Lab, do Sebrae MS.


Para Daniel, “as pessoas são um desafio, mas também o principal capital para inovar”. De acordo com ele, o primeiro inovador foi o homo habilis, um primata que inventou as primeiras ferramentas de agricultura e de caça, por isso ele viveu melhor e teve resultados melhores. “O foco da inovação sempre será o resultado”, destaca.


É preciso então tornar a inovação um hábito, um estilo de vida baseado na capacidade de melhorar constantemente a vida das pessoas. O especialista dá o exemplo do iPod na inovação do consumo musical. “Para ouvir música tinha que comprar CD, e havia uma quantidade limitada de músicas, a pirataria era alta. Aí Steve Jobs lança o iPod e muda a forma como consumimos música, acaba com a indústria da pirataria”, comenta.


Para criar na empresa uma cultura de inovação de alto desempenho é preciso ter: pessoas engajadas e clareza de estratégia. De acordo com pesquisa da Mackenzie em 2019, no Brasil, a prioridade dos colaboradores nas empresas era inovar, somos o país que mais se destaca pelo desejo da inovação, no entanto, ocupamos a 57ª posição no ranking global de inovação.


Mas qual a diferença entre querer ser inovador e ser inovador de fato? A resposta de Daniel é: “a cultura da inovação, e para formá-la temos que focar nas pessoas que estão nas organizações, não só nas academias”.


As empresas mais inovadoras olham para o mercado, concorrentes, consumidores, mas também tem uma visão endógena, que cuida das pessoas. Criar células na empresa para pensar coisas que no dia a dia não são pensadas é uma estratégia apontada por Daniel. “Ter ambidestria, a excelência define o hoje, mas a exploração define o amanhã”, explica. O coletivo forma a cultura, todos colaboram para inovar.


“O líder tem que dar visibilidade, clareza, norte, segurança emocional para errar, aprender e explorar. Com esses elementos temos a cultura ágil”, complementa. Para ele, metodologia é importante, mas os princípios ágeis são: aprendizado, relacionamento e resultado. “Trabalhar projeto de maneira interativa, a velocidade é só consequência disso. E ter diversidade intelectual, capacidade de aceitar ideias que estão fora do padrão, sair da zona de conforto”, expõe.


De acordo com dados das corporates extraídos da Plataforma Innoway, as empresas no Brasil são muito focadas em relacionamento. “O brasileiro é muito sociável, mas as empresas ainda precisam focar em aprendizado, e isso exige tempo e recurso investido, evoluir nisso. Pessoas são o centro de tudo. Cuidar do coletivo e ter pessoas intraempreendedores”, afirma.


Ciência sustentável


Além do foco nas pessoas, a inovação precisa ser vista como uma ciência sustentável e, de acordo com Daniel, a partir de 4 vetores:


1. Estratégia. Não dá pra fazer inovação sem norte, clareza. O compromisso da liderança com a inovação tem que ser maior, líderes precisam ser inovadores ativos na empresa. Tem que patrocinar a inovação. A estratégia tem que permitir que a empresa se adapte rapidamente. “A da Uber não é fazer corrida, taxi, é colocar o mundo em movimento. Fazer uber de tudo, uberizar a vida”, diz Daniel.


2. Dados. Dar Ideias baseadas em dados, conhecimento de produtos, serviços, tecnologia, pessoas, mercado. Dados são ativos intangíveis de alto valor. Quando tem dados você pode direcionar melhor a sua performance. A transformação digital contribui para ter uma cultura guiada por dados. Dados como ativo que gera valor para o cliente. Inovação não é caos, é ordem. Tem que ter domínio de projeto. Saber por que não deu certo ou deu certo. Ajustar.


3. Governança e funil de inovação. A governança deve guiar essas perguntas: Por que eu inovo? Qual é o meu foco? Com quem devemos inovar? Tem um responsável? A inovação aberta acelera a cultura das empresas porque ela acessa capacidades, mercado e ideias que demorariam muito para desenvolver dentro da empresa, por meio de provas de conceito, parcerias estratégicas, inovação com startup. “A ambev toca 300 projetos de inovação aberta com startups, projetos pra clientes, de financeiro, de logística, que atendem toda a sua cadeia. Absorvem ideias que não estão no padrão da empresa”, diz.


4. Resultados mensuráveis. As vezes a inovação é o próprio modelo de negócio, explorar novas oportunidades e ser disruptivos. A adobe vendia software caro demais e extremamente pirateado. Mudou o modelo de venda de caixinhas para assinatura. “Resultado: passou a cobrar 49 dólares por mês, e em vez de 10 pessoas, passou a ter 1 milhão de pessoas usando, deixou o físico para um modelo na nuvem. Tiveram coragem para ousar”, conclui.


O vídeo na íntegra da masterclass de inovação: culturas de alto desempenho, com Daniel Alves, pode ser visto em: https://www.youtube.com/watch?v=r4efk_NqjMo


Texto escrito por Janaína Mansilha

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